15 de jul. de 2025

A PEDAGOGIA WALDORF

Andreza Sichieri Mantovanelli Pestana Mota

A Pedagogia Waldorf nasceu no início do século passado, na Alemanha, como resultado de profundas pesquisas do filósofo e educador Rudolf Steiner sobre o desenvolvimento integral do ser humano. Sua grande missão consiste em considerar o aluno como um ser completo, dotado não apenas de um corpo físico, mas também de corpos sutis, como o corpo vital, anímico e espiritual. Assim, o professor Waldorf tem como tarefa reconhecer que a criança e o jovem possuem aptidões e talentos que precisam ser despertados e orientados de forma harmoniosa, integrando harmoniosamente pensar, sentir e querer.

Essa visão pedagógica tem provocado profundas reflexões no ensino acadêmico tradicional, que, em sua maioria, baseia-se em um excesso de estímulos intelectuais. A Pedagogia Waldorf, por outro lado, propicia maior consciência sobre a complexidade e profundidade do universo infantil e juvenil.

Rudolf Steiner apresentou diversas ferramentas didáticas, ensinando os professores a envolverem a criança por meio da aproximação com a natureza, com o ambiente em que vivem e com o cotidiano, para a explicação de conceitos abstratos. Dessa forma, as aulas se transformam em vivências ricas e significativas. Cabe ao professor Waldorf trazer o mundo para a sala de aula, fazendo com que a criança se conecte com o conteúdo e sinta vontade de aprender. Para isso, ele deve ser um artista, e todo o ensino, uma obra de arte em constante criação.

Nas escolas Waldorf, o ensino artístico é a base de todo o aprendizado, funcionando como mediador entre o pensar e o fazer. É por meio da arte que o sentimento flui como elemento regenerador e harmonizador entre o pensamento e a ação no mundo. Assim, disciplinas como música, artes plásticas, recitação de poemas e euritmia (arte do movimento) ocupam lugar de destaque em todo o currículo.

Nas aulas de trabalhos manuais, as crianças aprendem a tricotar, crochetar, bordar, costurar, modelar, trabalhar com madeira e argila, esculpir, forjar e criar, reconhecendo, nessas atividades, as conquistas da humanidade ao longo da história. Percebem que o ser humano é capaz de transformar o mundo com as próprias mãos, por meio do trabalho. Trata-se também de uma maneira de acessar os conteúdos estudados por outra perspectiva, além de estimular o ritmo, a vontade e o respeito pelo fazer manual.

Outra particularidade das escolas Waldorf é a não utilização de livros didáticos convencionais. Em vez disso, os alunos constroem seus próprios livros, registrando e ilustrando nos cadernos todo o conteúdo aprendido, conferindo vida, criatividade e individualidade ao material didático.

As notas também não fazem parte da Pedagogia Waldorf, pois não representam a totalidade do ser da criança. A prática avaliativa deve contemplar o desenvolvimento físico, emocional e intelectual dos alunos, com conteúdos que exercitam o corpo e as habilidades físico-motoras; conteúdos artísticos que contribuem para o desenvolvimento emocional; e conteúdos acadêmicos que favorecem o aprofundamento do pensamento, da cognição e das linguagens. Além disso, as propostas metodológicas incluem dinâmicas que estimulam o desenvolvimento das habilidades sociais. A avaliação deve ser contínua, realizada no dia a dia.

O professor Waldorf acompanha, preferencialmente, a mesma turma por vários anos, o que lhe permite conhecer profundamente cada aluno e apoiá-lo em seus talentos e dificuldades.

Na visão de Rudolf Steiner, todo ensino deve ser terapêutico, levando em consideração a faixa etária da criança e do jovem. Ele propôs os chamados "setênios", ciclos de sete anos que orientam a elaboração e abordagem dos conteúdos escolares.

A Pedagogia Waldorf cultiva, no primeiro setênio, a vivência da bondade na educação infantil, com o aprendizado baseado na imitação, promovendo a percepção de que o mundo é bom. No segundo setênio, a criança experimenta a beleza do mundo por meio do currículo do ensino fundamental, que valoriza imagens, experiências e atividades artísticas. No terceiro setênio, o jovem descobre a verdade do mundo, exercendo autonomia e responsabilidade, desenvolvendo um pensamento claro e uma atuação com sentido.

Esses ideais florescem como qualidades anímicas e, mais tarde, transformam-se em traços positivos de caráter no adulto, promovendo segurança em suas ações no mundo.

20 de jun. de 2024

O uso de telas e os desafios da atualidade

 Por Andreza Sichieri Mantovanelli Pestana Mota

Vivemos em tempos muito desafiadores para pais/mães atentos e responsáveis. O uso de telas por crianças, além de acarretarem dificuldades de aprendizagem, atrasos no desenvolvimento, dependência virtual, irritabilidade, problemas oculares, auditivos, transtornos do sono, alterações posturais, problemas de coluna e mais, expõe, sem filtro e sem critério, a conteúdos perigosos que levam as crianças, a curto prazo, a uma languida saúde mental. Hodiernamente é comum encontrarmos crianças apáticas, desinteressadas, ansiosas, violentas, que não conseguem esperar, ouvir o outro; além de apresentarem uma pobre qualidade no brincar, nas relações, sem capacidade de fantasiar, imaginar e agir.

Vale lembrar que as crianças estão em plena formação física, cognitiva e emocional, e boa parte do que se aprende e se faz são apreendidos, imitados ou assimilados no ambiente que vivem.

O uso de telas por crianças, cada vez mais cedo, faz com que o ambiente de aprendizagem deixe de ser a casa, a rua, as pessoas, passando ser um ambiente virtual, frio, ilusório e cheio de perigos. Quantas vezes podemos observar em supermercados, por exemplo, pessoas fazendo compras com crianças e estas com os olhos fixados em telas, sem sequer saber onde estão? Ou em restaurantes, comendo, sem piscar diante de um celular? Mesmo estando em diversos ambientes, acompanhando as famílias nos mais encantadores lugares, as crianças não vivenciam o externo, o que é vivo, de verdade. Ficam expostas a um ambiente com padrões de vida e de beleza preestabelecidos, metas altíssimas de consumo, sem acesso ao ser humano real como sua referência, como seu ambiente de aprendizagem.

O ambiente virtual faz com que as crianças se preocupem desde cedo em serem grandiosas, perfeitas, exibicionistas, poderosas, com sentimentos de indiferença em relação ao outro. Sem contar a normalização de comportamentos agressivos e violentos com os outros e consigo.

Por seus cérebros imaturos, as crianças não estão habilitadas para interpretar, digerir e administrar os conteúdos recebidos através das redes sociais, filmes, desenhos inapropriados. O imaginário infantil somado à admiração pelos influenciadores digitais ou personagens dos desenhos animados ou filmes inapropriados podem resultar na repetição de comportamentos narcisistas, egoístas, violentos ou até de erotização precoce. O grande perigo é que nem sempre esses conteúdos são tão claros e evidentes; o eufemismo de tons coloridos suaves, as trilhas sonoras agitadas ou fofinhas, muitas vezes corroboram com a inibição de quaisquer aspectos negativos e nocivos.

O ser humano é um ser de movimento e as crianças precisam movimentar-se para perceberem-se no espaço tridimensional, ancorarem-se em seus corpos para um bom aprendizado durante toda vida escolar. É importante que corram, subam em árvores, balancem, girem, caiam, levantem e se relacionem. Precisam aprender brincando a lidar com as pequenas dores da vida para desenvolverem empatia e compaixão. No mundo solitário das telas é impossível vivenciar com alegria os movimentos. Tanto o movimento cósmico (dia e noite, estações do ano), como o movimento anímico (relações pessoais) e de seus próprios corpos. Se não tiverem supervisão, crianças e adolescentes perdem totalmente a noção do tempo diante das telas e são capazes de ficar por horas sem se movimentarem e sem perceberem o mundo ao redor. As crianças precisam de atividades variadas de motricidade grossa e fina, principalmente aquelas com sentido, pois os movimentos automáticos atrofiam o sentido do movimento.

A alienação causada nas crianças pelo uso de telas impede percepções simples como dos próprios limites, do bem-estar, de executar e perceber movimentos. Assistimos a uma hipotrofia dos sentidos, que fatalmente ocasionará sérios problemas de convivência e relacionamentos, prejudicando toda vida futura.

A orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre o “tempo ideal de tela” para a população pediátrica é diferente para cada faixa etária. Para crianças menores de dois anos, a recomendação é evitar por completo a exposição a telas. Já crianças com idades entre dois e cinco anos, a indicação é limitar o tempo de telas ao máximo de uma hora por dia. Entre seis e dez anos, o tempo aumenta para duas horas diárias. Para os maiores, a orientação é de três horas por dia. Esses períodos diários sempre devem ser acompanhados por um adulto.

Uma ferramenta de proteção à infância é a classificação indicativa, cuja aplicabilidade melhorou consideravelmente nos últimos tempos.

Vale frisar que o cérebro maduro da relação com filhos é do pai/mãe, do adulto que deve cuidar e avaliar a pertinência do uso de telas, o tempo de exposição e o conteúdo que será oferecido para as crianças. Além disso, ao se depararem em qualquer ambiente, virtual ou real, com violência, erotização, falta de respeito, conversem com as crianças para que aprendam a rejeitar e reprovar um comportamento negativo mesmo se este for retratado de forma colorida e divertida.

Os desafios estão postos. Sabemos que não é fácil nadar contra a maré, mas, sabendo que é necessária uma aldeia inteira para educar uma criança (provérbio africano), vale a pena investir no convívio com pessoas que debruçam sobre o tema e carregam o mesmo impulso de proteger a infância e a adolescência, mantendo a confiança em um mundo melhor.

13 de ago. de 2023

Apresentação do Centro Educacional Flor de Lótus

Por Andreza Sichieri Mantovanelli Pestana Mota 

Centro Educacional Flor de Lótus, Bauru, São Paulo, Brasil.
Micael, 2022

O ritmo como um dos princípios básicos da Pedagogia Waldorf

Na primeira infância todos os processos vitais estão ligados à ritmos e a organização rítmica da criança pequena ainda é rudimentar e precisa ser estimulada.

A proposta do Centro Educacional Flor de Lótus é que a criança vivencie na escola o ritmo diário através da alternância de períodos de contração (atividades proposta no social) e de expansão (livre brincar). 

O ritmo semanal é marcado pela atividade de cada dia. Em nossa escola praticamos jardinagem, culinária, aquarela, desenho, modelagem, cuidados com o espaço e vivências com instrumentos musicais como o kântele e o metalofone.

O ritmo mensal é vivenciado através da mesa de época, da roda rítmica e da história escolhida.

E por fim, o ritmo anual, em que são vivenciadas as estações do ano (verão, outono, inverno e primavera), o aniversário de cada criança e, por ser uma escola de inspiração antroposófica, as festas cristãs (Páscoa, São João, Micael e Natal) e também as comemorações de nossa cultura brasileira.

A vivência do ritmo faz com que as crianças tenham segurança e confiança no mundo.

Em nosso calendário trazemos algumas comemorações como o Dia da Consciência Negra e o Dia da Família. Desde 2016 a escola não comemora o Dia das mães e o Dia dos Pais, já que praticamos educação inclusiva e solidária frente às transformações sociais e, ainda, às transformações pelas quais vem passando a família pós moderna. Aqui na Flor cabem todas as famílias. As monoparentais, homoparentais, as famílias nas quais as crianças não convivem com suas mães ou pais ou já os perderam. Valorizamos e homenageamos quem  acompanha e protege nossas crianças. 

A estrutura

Nossa escola reproduz o ambiente e aconchego de uma casa com sala, quarto, cozinha, banheiros, varanda e quintal. Em nosso quintal há terra, grama, árvores frutíferas bem como canteiros com flores e pequenas hortas. Estimulamos a relação com a natureza, a observação das plantas e o cuidado com o meio ambiente. Permitimos que as crianças subam em árvores, bem como que brinquem na lama.

As atividades oferecidas buscam desenvolver os sentidos de maneira verdadeira. Assim, os brinquedos são simples, de materiais naturais, em sua maioria de madeira, algodão e lã de carneiro. Aqui o menos é mais.

As atividades praticadas desenvolvem a coordenação motora ampla e fina, a percepção visual, auditiva, tátil, olfativa, gustativa, a concentração, a linguagem oral, a orientação temporal e espacial, a lateralidade, o convívio e a socialização, todos vivenciados com um viés artístico.

Por estarem as crianças em fase de exercitar e educar o paladar, o lanche é elaborado, sempre que possível, com alimentos orgânicos e biodinâmicos, fazendo parte do cardápio diário o grão do dia, as frutas frescas e secas, castanhas e chás ou águas saborizadas naturalmente. Em nossa escola não usamos leite e derivados, ovos e, por ser de inspiração antroposófica, não oferecemos carnes às crianças.

As turmas são formadas por crianças de 1 ano e meio até os 6 anos de idade.

Nossa casa funciona de segunda à sexta, das 7h30 às 12h (período da manhã) e das 13h30 às 18h (período da tarde), com 200 dias letivos no ano, incluindo alguns sábados letivos.

Os(as) educadores(as) elaboram um plano de aula mensal, onde planejam as atividades do dia, bem como os horários de lanche e parque. Respeitar os horários de entrada e saída faz com que as crianças vivenciem o ritmo proposto e, assim, possam usufruir dos benefícios que ele traz.

Somos uma família de 09 educadores, entre professores(as), auxiliares, coordenadores(as) e gestores(as). As crianças convivem diariamente com toda a equipe da Flor, o que traz segurança e tranquilidade quando há necessidade de rodízio ou substituição de educadores(as).

A escola também recebe estagiários do curso de pedagogia, bem como da Formação de Professores Waldorf.

Cada família que chega na escola participa de uma reunião individual para a construção de uma ponte entre esses dois mundos em que a criança passará a transitar (casa e escola). Durante o ano, a escola oferece 2 reuniões semestrais, encontros e palestras, e ao final uma reunião individual para acompanhamento do desenvolvimento da criança.

As famílias se comprometem a participar das atividades propostas, bem como se colocam a disposição para a construção de uma comunidade escolar que visa uma educação para a paz.

Temos como princípio a prática da Comunicação Não Violenta. Esta ferramenta é usada com as crianças e construída diariamente com a comunidade escolar.

Organização do cotidiano de trabalho junto às crianças 

A criança até 3 anos de idade

No Centro Educacional Flor de Lótus não existem atividades dirigidas para crianças nessa faixa etária, sendo que o enfoque maior e mais importante a ser dado são a satisfação das suas necessidades básicas e os cuidados que ela demanda. A tarefa do(a) educador(a) é ensinar pelo exemplo, dirigindo-se à criança individualmente com uma fala articulada, calma e tranquila.

Troca de fraldas, de roupas, lavagens de mãos, lanche, escovação de dentes, por e tirar sapatos, são cuidados básicos mais importantes pelo contato humano do que qualquer atividade que se possa executar. Atividades rotineiras devem ser realizadas com calma, e a pessoa adulta deve estar inteiramente presente e consciente em todos os momentos. Nos cuidados cotidianos é que a criança tem a possibilidade de perceber o amor e a atenção que lhe são dedicados. Essas atividades nunca devem ser subestimadas, são fundamentais para que a criança se sinta feliz no mundo em que ingressou. São momentos que oferecem uma possibilidade de dedicação exclusiva e cada instante individual com a criança traz em si a oportunidade de um encontro e de demonstração do amor e respeito que o(a) educador(a) possui em relação à mesma. Esta conduta é exercitada diariamente dentro dos ritmos da escola. 

O maternal Waldorf é uma extensão da casa, onde a criança aprende pelo exemplo, acompanhando o ritmo do ambiente e convivendo harmoniosamente com as pessoas que nele coabitam. É uma fase do desenvolvimento onde acontecem muitas conquistas humanas como o andar, falar e pensar. Acontecem também a separação do mundo e o nascimento da individualidade. Com isso, aparecem as crises, acompanhadas de birras, mordidas, tombos, febres, doenças infantis etc. Necessário se faz a presença das famílias nos encontros propostos pela escola para compreensão e atuação em uma das fases mais importantes do desenvolvimento infantil.

Chegada - É o tempo do brincar na sala. Depois de guardarem suas bolsas e tirarem e guardarem os sapatos as crianças brincam livremente. 

Nesses primeiros momentos na sala o(a) educador(a) serve um delicioso chá e as crianças planejam as atividades do dia, constroem cabanas, arrumam a casinha, viram a cadeirinha de cabeça para baixo para fazer de conta que é um carro, um avião ou foguete etc. Para encerrar esta atividade de expansão o(a) educador(a) inicia o ritual da arrumação cantando uma música quando todos, pelo exemplo, ajudam a organizar a sala para a próxima atividade, guardando cada brinquedo em seu lugar.

Crianças de 3 a 6 anos

Ritmo da época- A Roda rítmica é uma atividade dirigida pelo(a) educador(a) e realizada num grande círculo. Uma estória é elaborada com versos, canções e sincronizada com movimentos. O conteúdo é escolhido de acordo com as estações do ano, os acontecimentos da natureza ou as festas. Cada época tem a duração de aproximadamente 28 dias.

As atividades com as mãos são específicas para cada dia da semana: desenho, modelagem com cera de abelha para as crianças com mais de 5 anos, pintura de aquarela, jardinagem, culinária, dia de cuidados com o espaço e música.

Preparação para o lanche – Inicia-se esse ritual com uma canção onde as crianças são convidadas a lavar as mãos e sentar-se à mesa. Iniciam o lanche com um verso, o(a) educador(a) serve cada criança individualmente enquanto os demais exercitam o esperar, a atenção e o respeito pelo alimento. Este rico momento termina com o agradecimento. Após o lanche uma ou mais crianças ajudam a professora na limpeza e organização da sala. 

Brincar livre no parque - Após a aplicação de repelente e uso do banheiro, as crianças brincam na terra, balançam, pulam corda, pulam amarelinha, sobem nas árvores e correm pelo imenso  quintal da escola. 

De volta à sala, aqueles que necessitam trocam de roupa e organizam suas bolsas. As crianças fazem brincadeiras musicais com mãos e dedos. O(a) educador(a), então, encerra o dia com um conto de fadas, rítmico ou indígena antes ou depois das refeições (almoço/jantar).

A fase dos 3 a 6 anos igualmente acontecem muitas conquistas. O brincar social, a descoberta dos sentimentos, das habilidades manuais, a força da liderança, tudo vai contribuindo para o desenvolvimento físico e psíquico da criança, bem como para a percepção de fazer parte do mundo. Contudo, sua inteligência emocional ainda está em formação e muitas vezes não sabe lidar com as emoções. Não faz sinapses completamente já que não tem ainda seus neurônios encapados pela bainha de mielina.

É de fundamental importância a participação da família na vida escolar da criança, nos encontros propostos pela escola para compreensão e atuação em cada fase do desenvolvimento. Com as ferramentas apresentadas fica mais leve o caminhar junto deles.

Caminho interior dos pais/mães e responsáveis: 

Atenção protetora, acompanhamento interessado, confiança confortada e cura. Essas são as qualidades que os responsáveis pela criança devem buscar desenvolver.

o Centro Educacional Flor de Lótus traz em sua proposta a Escola para as famílias através de palestras e rodas de conversas onde se busca a construção de diálogos e trocas entre toda comunidade, bem como a apresentação das ferramentas aplicadas no dia a dia escolar para que possam ser utilizadas pelas famílias em casa.

Participar da escola é possibilitar o exercício da maternidade/paternidade responsável e atenta. 

Conheça também nosso ensino fundamental. 

É o que procura? Agende uma entrevista através do fone 14 996012898.

29 de jan. de 2022

Protocolo COVID 19 2022

Andreza Sichieri Mantovanelli Pestana Mota

Confiram o que diz o protocolo vigente: 

1 - COM SINTOMA - Mesmo sendo pequena a chance de ser COVID, no caso da criança, por não ter nenhum adulto do convívio com sintomas, o isolamento deverá ser feito por 7 dias, desde que não apresente sintomas respiratórios e febre, há pelo menos 24 horas e sem o uso de antitérmicos. 

Não apresentando sintomas respiratórios e febre, há pelo menos 24 horas, e sem o uso de antitérmicos, poderá no 5º dia após o primeiro sintoma realizar testagem (RT-PCR ou teste rápido de antígeno) para Covid-19: 

NEGATIVO: Poderá sair do isolamento, antes do prazo de 7 dias, desde que não apresente sintomas respiratórios e febre, há pelo menos 24 horas, e sem o uso de antitérmicos. 

POSITIVO: Será necessário permanecer em isolamento por 10 dias a contar do início dos sintomas. 

Para aqueles que no 7º dia ainda apresentem sintomas, é obrigatória a realização da testagem.  

NEGATIVO: Deverá aguardar 24 horas sem sintomas respiratórios e febre, e sem o uso de antitérmico, para sair do isolamento.  

POSITIVO: Deverá ser mantido o isolamento por pelo menos 10 dias contados a partir do início dos sintomas, sendo liberado do isolamento desde que não apresente sintomas respiratórios e febre, e sem o uso de antitérmico, há pelo menos 24h. 

Para aqueles que não realizaram a testagem até o 10º dia, mas estiverem sem sintomas respiratórios e febre, e sem o uso de antitérmico, há pelo menos 24 horas, poderá sair do isolamento ao fim do 10º dia 


2- COM OU SEM SINTOMAS:  Se teve CONTATO SEM MÁSCARA E SEM O DISTANCIAMENTO SEGURO DE 1M com alguém com COVID o isolamento deverá ser de 10 dias. 

Não apresentando sintomas respiratórios e febre, há pelo menos 24 horas, e sem o uso de antitérmicos, poderá no 5º dia após o primeiro sintoma realizar testagem (RT-PCR ou teste rápido de antígeno) para Covid-19: 

NEGATIVO: Poderá sair do isolamento, antes do prazo de 10 dias, desde que não apresente sintomas respiratórios e febre, há pelo menos 24 horas, e sem o uso de antitérmicos. 

POSITIVO: Será necessário permanecer em isolamento por 10 dias a contar do início dos sintomas.


Desta forma, usando a máscara apropriada e mantendo o distanciamento seguro, podemos até ter estado com alguém com COVID sem necessariamente ter tido contato com ele. ❤️

Usem máscara 

Mantenham distância

31 de jan. de 2021

Dicas para a adaptação escolar

Andreza Sichieri Mantovanelli P. Mota

O ingresso da criança na escola é a entrada em um meio social mais amplo, onde se desligará, por algumas horas, do seio familiar e construirá, com o passar dos dias, novas relações.

A vinda da criança para a escola deve ser preparada pela família; entretanto, não devem ser dadas longas explicações, pois isso pode despertar desconfiança e insegurança. A segurança da tomada de decisão deverá ser sentida/vivenciada pela criança através dos gestos de seus familiares. A segurança dos adultos será a segurança da criança.

Lembramos que a separação sempre é um processo doloroso tanto para a criança quanto para a família. Na escola a criança vivencia pela primeira vez o distanciamento da família e a não exclusividade, pois terá de dividir a atenção com outras crianças. Por outro lado, vai brincar, se alimentar e vai ser acolhida com carinho e respeito pelos(as) educadores(as) e coleguinhas que ali estão. Aqui a confiança começa a nascer. Vale lembrar que o vínculo com a escola de fato só será construído na ausência dos familiares.

Cuidados devem ser tomados nesse período de adaptação em relação à troca recente de residência, retirada de chupeta ou fraldas, troca de mobília do quarto, chegada de um irmão, perda de parente próximo ou animalzinho de estimação ou qualquer outra alteração, incluindo a saúde. É importante que o “fato novo” se limite, dentro do possível, ao ingresso na escola.

O choro na hora da separação é mais que comum, é normal. Geralmente é uma forma de dizer aos familiares que se tivesse a opção, preferiria ficar com eles em casa ou mesmo na escola. Sono, fome, cansaço também são motivos para que a criança chore na hora da separação e não queira ficar na escola. É muito importante que a criança tenha qualidade de sono de alimentação diariamente e que vá para a escola com essas necessidades supridas.

Poderão ocorrer algumas regressões de comportamento durante o período de adaptação, assim como alguns sintomas psicossomáticos. É comum verificar-se, ainda, nessa fase de adaptação, uma ambivalência de sentimentos. O desejo de autonomia e a necessidade de proteção ocorrem simultaneamente na criança.

Cabe ao adulto entregar a criança ao educador(a), colocando-a no chão ou entregando no colo da profissional, incentivando-a a ficar na escola. Quanto mais rápido e determinado for este processo, mais segura a criança ficará.

As famílias não devem sair escondidas. É importante que se despeçam da criança e avisem que logo irão retornar para buscá-la. Em caso de choro, a despedida deve ser rápida e firme, sempre avisando que voltarão em breve.

A ausência do choro não significa que a criança não esteja sentindo a separação. Elas sempre sentem o processo de adaptação. Contudo, ao perceberem que todos os dias acontece a mesma coisa (ritmo diário) e que a família vem buscar sempre no mesmo horário, a criança para de chorar.

A sala de atividades é um espaço que deve ser respeitado e a presença das famílias dentro dela deverá ser previamente combinada com a professora. É importante sempre verificar junto a ela qual a orientação em relação à presença das famílias na escola durante a semana de adaptação.

Em casa é importante evitar interrogatórios sobre o dia da criança na escola, para que esta não se sinta pressionada. Crianças gostam de contar suas descobertas naturalmente.

A relação de confiança se constrói e se conquista a cada dia.


Confiança é uma das palavras de ouro que, no futuro, deverão dominar a vida social.

Amor pelo que se tem a fazer é a palavra de ouro. E, no futuro, serão socialmente benéficas
as ações que forem realizadas por amor aos homens em geral.


Rudolf Steiner

25 de set. de 2018

DIA DE MICAEL

Por Andreza Sichieri Mantovanelli Pestana Mota




"Se em nosso meio agora se fala daquela Festa de Micael que deverá associar-se às festas da Páscoa, de Natal e de São João, isto não deve ser compreendido de tal forma que se celebre aqui ou ali uma solenidade de maneira superficial, mas trata-se de sabermos que só podemos realizar uma festa assim, se soubermos ligá-la a algo significativo. A festa de Natal não se efetivou simplesmente a partir de uma decisão voluntária conveniente, mas sim por estar ligada ao nascimento de Jesus Cristo; a Páscoa ligou-se ao Mistério do Gólgota: são datas muito significativas na vida histórica da humanidade. A festa de Micael deve ligar-se a uma vivência interna do homem, muito grande e básica, àquela força que conclama o homem a desenvolver sua consciência, de uma consciência natural para uma consciência de si através da força dos seus pensamentos, através da força do seu querer..."

Rudolf Steiner


No dia 29 de setembro comemoramos o dia de São Micael, o Arcanjo que, com força objetiva e inteligência cósmica, defende a humanidade por acreditar nela. Atualmente ele ajuda e inspira o ser humano que queira aprender a amar com consciência.

Micael espera do ser humano que este saiba, em liberdade, redescobrir o Espiritual em si próprio e no mundo, e que consiga introduzir na inteligência tornada sua, humana, aquele outro elemento que completa a luz do intelecto, ou seja, o calor do amor.

A Festa de Micael está praticamente esquecida nos dias de hoje. A representação de São Micael com uma espada de ferro na mão apontando em direção a um dragão, mostrando que a sabedoria está em não matar o mal, nem mesmo dele desviar e sim em mantê-lo dominado, surgiu na Idade Média.

O ferro de sua espada representa o ferro meteórico e que anualmente cai na Terra em forma de meteoritos (estrelas cadentes) nos meses de agosto e setembro, aproximadamente. No nosso sangue igualmente existe a substância ferro que nos garante força de atuação no mundo.

Outra qualidade que é contemplada no Dia de Micael é a Coragem. O ser humano deve se esforçar para ultrapassar seus limites e vencer com amor seus medos, seus dragões; sendo  este o único caminho para a liberdade.

As Escolas Waldorf comemoram o dia de São Micael com vivências de força e coragem, através de brincadeiras como pular corda, equilibrar na corda, dentre outras que requerem o exercício da força física e da própria coragem.

Podemos fortalecer a coragem das crianças através de imagens, como a da espada que representa a bravura, através de contos de fadas que falem de pessoas corajosas e justas e também através de músicas ou versos à São Micael pedindo que nunca falte aos seres humanos coragem para trilhar o caminho da liberdade e do amor.

Porque o Arcanjo Micael é tão importante para todas as iniciativas antroposóficas? 

Para compreendermos a importância de Micael precisamos nos remeter ao início dos tempos, quando Lúcifer se voltou contra Deus-Pai. O anjo caído e seus seguidores foram expulsos do céu pelo Arcanjo Micael, o guardião celeste. 


Desde então, Micael tornou-se o grande representante da força e principalmente da consciência que devemos buscar na nossa luta diária contra todos os dragões que nos rodeiam. Micael é o representante e lugar-tenente do Cristo. Seu exército luta contra dragões e sua arma é o amor!


São muitos os dragões. Existem aqueles que são visíveis, que podemos notar sem dificuldades, como a miséria e a fome, a corrupção, a violência, os vários tipos de abusos e muitos outros. Porém, há aqueles dragões que são sutis e que muitas vezes passam despercebidos por todos nós como o egoísmo, o consumismo exacerbado, a exagerada preocupação com nossa aparência externa, fazendo com que esqueçamos de cuidar do nosso interior, de nossa essência eterna; há ainda o dragão da indiferença que nos torna passivos diante de atitudes inadequadas, que nos leva a aceitar atitudes racistas, homofóbicas, programas de televisão manipuladores, propagandas enganosas, postagens em redes sociais que promovem ódio e a divisão, a intolerância, a desarmonia; outro terrível dragão é aquele que nos convence a aceitarmos a paulatina substituição das relações humanas pela máquina, pelo “mundo virtual”, tudo em nome do progresso, do desenvolvimento de uma melhor qualidade de vida.

Entramos recentemente na Era da Consciência, regida pelo Arcanjo Micael. Ele representa a força e a coragem que devemos ter em nossa luta diária, para estarmos sempre alertas ao que é bom e ao que é mau.

Para as crianças, os dragões deveriam ser apenas aqueles presentes nas histórias que lhes são contadas. Mas os adultos que as rodeiam convivem diariamente com os dragões acima citados e muitos outros mais. 

Porém, se quisermos que elas tenham coragem para um dia enfrentá-los, precisamos ser exemplo de coragem, ou seja, exemplo de um ser humano que enfrenta o mal com consciência.


Quando um movimento esotérico ou alternativo não é dominado pelos impulsos de Micael e do Cristo, e quando não visa a uma elevação do homem ao espiritual mediante um trabalho moral e consciente em si mesmo, dentro do contexto social que se encontra, tal movimento é condenável por estar em flagrante contradição com o verdadeiro impulso de nossa época.

Agir com consciência
Agir com amor
Agir com coragem
Agir para transformar
Agir para ajudar o bom encontrar o seu lugar
Ação! Eis o que espera de nós Micael




Inspiremo-nos em Micael.

21 de set. de 2017

O que a vida quer da gente é coragem (Micael)

Andreza Sichieri Mantovanelli Pestana Mota



O correr da vida embrulha tudo.

A vida é assim: esquenta e esfria, 

aperta e daí afrouxa,

sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem
Guimarães Rosa

A escola antroposófica inclui em seu calendário, em seu ritmo anual, 4 festas Cristãs. São elas Advento, Páscoa, São João e Micael. 

Aqui vamos falar de Micael, um arcanjo também conhecido como Miguel. Esta época se inicia com a entrada da primavera, ocasião em que a terra está rica em ferro decorrente das chuvas de meteoros derramadas em nosso hemisfério nos meses anteriores. O ferro está presente também em nosso sangue e representa a força.

A imagem de Micael é de um guerreiro, chefe do exército celestial, aparecendo sempre com uma espada ou armadura.  Por traz dessas imagens sabemos que sua verdadeira "arma" é o bem, imbuído de fé e coragem. A fé aqui deve ser entendida como uma plena confiança  no mundo espiritual como nos ensinou Rudolf Steiner: "tudo o que vier nos será dado por uma direção mundial plena de sabedoria."

Sua missão é combater o mal, representado na imagem pelo dragão. A luta se dá pelo domínio do dragão e não pelo seu extermínio.

Que dragão é esse afinal? Na época atual, que chamamos de Era da
Consciência, a força do dragão é a de desviar o homem de seu caminho, da sua verdade. Esse dragão está em toda a parte, dentro e fora do ser humano. 

Ele representa tudo que leva o homem  a se tornar um ser pequeno, sem vontade própria.

Tudo mais que desqualifica a alma humana como, por exemplo, egoísmo, vaidade, ganância, corrupção, soberba, falta de humildade, hipocrisia, igualmente é representado pelas forças do terrível adversário de Micael.

O dragão quer aprisionar o ser humano no mundo material, afastando-o cada vez mais da sabedoria cósmica, ou seja, sua missão é impedir o crescimento/desenvolvimento espiritual do homem. Já Micael tem sua missão de despertar a consciência humana para tal.




Assim como as demais festas cristãs, a época de Micael nos traz profundas reflexões de como lidar com os dragões que vivem dentro e fora de nós. A proposta é que tenhamos coragem de reconhecer o dragão, identifica-lo e saber como dominá-lo de forma poder transformar o mal em bem.



Educando nossa vontade cresceremos espiritualmente. Eis nossa tarefa.

Nas escolas Waldorf não falamos sobre essa época para as crianças. As crianças pequenas ainda não vivenciaram em si o bem e o mal, portanto, apenas escutam músicas de São Micael e se envolvem pelas cores da época. O exemplo serenidade, coragem e força deve ser trazido pelo educador sempre, não somente nesta data.

Já as crianças maiores vivenciam através de cantinhos de época, músicas, histórias e versos a imagem do guerreiro celestial que com força e coragem domina e demove o dragão.

Assim sendo,  o dia 29 de setembro (Dia de São Micael) nos lembra quem somos. Nos convida mergulhar em nosso interior e buscar lá nas profundezas da alma a capacidade de erradicar o medo e adquirir serenidade em todos os sentimentos e sensações a respeito do futuro. Agir com consciência, nadar contra a maré. Cada um de nós tem seu papel no exército micaélico. Coragem!!

"Isto é parte do que temos de aprender nesta era, a saber: viver em pura confiança. Sem qualquer segurança na existência; confiança na ajuda sempre presente do mundo espiritual.
Em verdade, nada terá valor se a coragem nos faltar.
Disciplinemos nossa vontade e busquemos o despertar interior todas as manhãs e todas as noites".

Rudolf Steiner

29 de ago. de 2017

O impulso Micaélico e as forças adversas (Árimã e Lúcifer)

O reino de Árimã é o da matéria e das leis da matéria. Ele é intrinsecamente oposto à espiritualidade dos mundos superiores, representada pelo Cristo e pelos coros das Hierarquias. Essa espiritualidade não é o raciocínio frio da mentalidade materialista e do pensar abstrato, mas algo essencialmente permeado por um calor que é sinônimo de amor. A inteligência cósmica original continha tanto a luz da sabedoria como o calor do amor! Daí o esforço arimânico  de atrair o homem para a órbita do materialismo e de separá-lo definitivamente de sua origem espiritual, apresentando-lhe o mundo do espírito como inexistente. E esse é o drama do homem moderno, da alma da consciência! 

(...) De um lado, Árimã procura, por todos os meios, prender o homem à matéria e apagar nele a ideia da existência de qualquer realidade espiritual, tanto no homem como no Universo. É o triunfo da ciência mecanicista, de um pensar abstrato, semelhante a um computador. É o utilitarismo em todos os campos, a negação de quaisquer parâmetros e critérios objetivos de ética e de responsabilidade. O mundo - e com ele o homem - é um mecanismo exclusivamente baseado na matéria e suas leis, onde palavras como "espírito", "amor", "responsabilidade moral" ou "liberdade" não tem o menor sentido.

De outro lado, está aquele que espera do homem que este saiba, em liberdade, redescobrir o Espiritual em si próprio e no mundo, e que consiga introduzir na inteligência tornada sua, humana, aquele outro elemento que completa a luz do intelecto, ou seja, o calor do amor. O ser que guarda ansioso que o homem saiba usar sua liberdade para esse fim é Micael. E por trás dele aquela outra entidade da qual Micael é o representante e lugar-tenente, o Cristo.

A longa caminhada através da História, longe do espiritual, a dedicação cada vez maior do homem ao mundo material, era, portanto, fases de transição necessárias. Mas chegou a hora da guinada, e a era da alma da consciência e a nova época micaélica marcam o ponto crítico.

O pensar humano não pode, de maneira alguma, continuar a ser materialista. O que ainda se justificava no século XIX é hoje sintoma de grave aberração. O mundo material precisa ser reespiritualizado, e quem deve fazê-lo é o homem. A percepção física deve ser ampliada até incluir a realidade supra-sensível da qual a Humanidade se separou, e o próprio pensar pode ser transformado em instrumento de uma nova, autêntica percepção dessa realidade.

(...) Cabe, pois, ao homem reespiritualizar a si próprio, sua vida, seus atos e, indiretamente, o mundo.  

(...) De forma indireta, as forças luciféricas também põe perigo a sadia evolução futura. Com efeito, Árimã está a favor de um pensar consciente, mas quer que este se dedique exclusivamente à matéria, ao raciocínio abstrato e à causalidade mecanicista. Em tal reino não pode existir espírito, liberdade ou amor. - Lúcifer não nega a espiritualidade, mas não quer que o homem seja realmente consciente. Ora, não pode haver amor sem consciência. O amor de um ente total ou parcialmente inconsciente não é amor. Por isso misticismo nebuloso, o sentimentalismo na busca do espiritual e os estados de consciência extática ou reduzida não podem conduzir o homem moderno à verdadeira espiritualização ou cristificação de sua existência. Que se apreciem desse ponto de vista os inúmeros movimentos "ocultos" que aparecem nestes dias...

(...) Quando um movimento esotérico ou alternativo não é dominado pelos impulsos de Micael e do Cristo, e quando não visa a uma elevação do homem ao espiritual mediante um trabalho moral e consciente em si mesmo, dentro do contexto social, tal movimento é condenável por estar em flagrante contradição com o verdadeiro impulso de nossa época.

(Trechos extraídos do livro Antroposofia Ciência Espiritual Moderna, de Rudolf Lanz).

20 de dez. de 2016

A Antiguidade e a Modernidade da Árvore de Natal



A Antiguidade e a Modernidade da Árvore de Natal (Antroposofia)




"De onde vem a ideia de enfeitar o pinheiro com luzes e esferas vermelhas?

Como era uma árvore de Natal antigamente? 

O resgate do significado das tradições é algo fundamental, uma vez que um sentido maior pode ser revivido a cada ano; uma renovação rítmica a cada solstício de inverno no hemisfério norte é comemorada desde os tempos pré-cristãos. 

O solstício de inverno significa o dia do ano com maior tempo de escuridão e menor tempo de luz, ou seja, dia 23 de dezembro, e desde tempos antigos esse dia foi consagrado como um dia especial, quando a luz interior, uma luz especial deveria ser acesa no interior do ser humano, no dia de menor luz exterior. 

Segundo o filósofo Rudolf Steiner (1861- 1925), a árvore de Natal corresponde a uma fusão de duas árvores, ou melhor, de duas famílias botânicas: uma conífera, especialmente o pinheiro, e uma rosácea, especialmente a macieira e a roseira. 

As coníferas correspondem às árvores mais antigas de nosso planeta. Ainda antes dos dinossauros, no período geológico carbonífero, existiam essas árvores de sementes nuas (as pinhas), literalmente gimnospermas, representando até hoje as árvores de maior longevidade. Exemplos impressionantes são a sequóia californiana, de 3.212 anos, e o Pinus aristata, de 4.600 anos. 

Essas árvores significam vida, representam a ÁRVORE DA VIDA. 

As rosáceas, bem mais recentes, já no período terciário dos mamíferos gigantes, correspondem às angiospermas modernas. Essa família se caracteriza, por um lado, pela sua enorme dureza e formação de acúleos e espinhos; por outro, pela sua intensa formação nas estrelas, além de ser também um pentagrama. 

A maçã, cujo receptáculo da flor tornou carnuda e perfumada, mantendo consistência firme, na Antiguidade assumiu a representação da esfera terrestre, generosa, altruísta, para alimentar outras formas de vida. 

A macieira representou tanto o desenvolvimento humano que seu nome em latim é Mali, a ÁRVORE DO CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL. 

Integrar a ÁRVORE DA VIDA com a ÁRVORE DO CONHECIMENTO – eis o significado da ÁRVORE DE NATAL. 

No início da era cristã, a árvore de Natal recebeu sua orientação final, uma vez que hoje ela parece desorientada nos shopping centers das grandes cidades. 

A receita tradicional para montar uma árvore de Natal é: um pinheiro (ou parte dele), 33 maçãs, 33 rosas (30 vermelhas e 3 brancas), 33 velas com seus suportes e os símbolos dos planetas. Idealmente, ela é enfeitada na véspera, coberta com um véu. Na noite de Natal, o véu é retirado, as 33 velas são acesas na luz apagada e se comemora o Natal à luz de velas. 

Um ambiente maravilhoso se cria ao redor dessa árvore cheia de significados. Os 33 frutos das rosáceas e as 33 velas representam os 33 anos de vida de Jesus Cristo, sendo que as três rosas brancas, colocadas no alto da árvore, correspondem aos três últimos anos após o batismo, anos de intenso desenvolvimento humano. Os planetas significam a ponte entre a Terra e o Cosmo. 

A modernidade da árvore de Natal se esconde em seu maior significado, ou seja, a busca da integração de um estilo de vida que una a VIDA (alimentação, atividade física, vida social, lazer) com o CONHECIMENTO (vida estudantil, vida profissional, responsabilidades) num ritmo que integre o profano e o sagrado a cada dia". 

FELIZ NATAL!!! 

Autoria: *Ricardo Ghelman 

*Médico Antroposófico e de Família

12 de jun. de 2016

Época de São João na Flor de Lótus

Por Andreza Sichieri Mantovanelli Pestana Mota




Ontem realizamos a primeira oficina da lanterna na Flor de Lótus. Foi uma manhã muito agradável, cheia de realizações.

Iniciamos o dia com uma roda, onde falamos do sentido da comemoração de São João em nossa escola. Partindo das palavras de João Batista, "Eu devo diminuir, Ele deve crescer", passamos ao símbolo da fogueira, onde a madeira diminui seu tamanho para que o fogo possa ascender. A madeira (lenha) representa o físico, a matéria, o homem encarnado; já o fogo representa o que há de mais nobre no ser humano, o Eu, a centelha divina. Fizemos uma roda e cantamos com os pais algumas canções. Depois, seguimos para a confecção das lanternas.

A época de São João nos convida a uma interiorização, uma reflexão sobre nossas atitudes cotidianas. Sendo o fogo um elemento transformador, como podemos transformar o meio e manter acesa a chama da esperança?

Rudolf Steiner sugere formarmos "seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar propósito e direção para suas vidas.” Eis o que o mundo precisa: de mais seres humanos seguros e conscientes de si para atuar de forma transformadora.

Outro não é o papel de nossa escola senão a proteção da infância. As crianças brincam a fim de que seu potencial inato de imaginação possa se transformar na criatividade adulta. Mantê-las em contato com o que é natural, orgânico, conectá-las com a terra e com a natureza, alimentá-las com comidas saudáveis, são estas nossas principais ferramentas.

Carregando em nossos corações o pensamento que "toda a educação é auto-educação e que os nossos professores e educadores são, no fundo, apenas o ambiente da criança que possibilita a sua auto-educação", saímos deste encontro com a missão de fazer nosso fogo ascender cada dia mais, cultivando em nós o calor e toda a luz que a época de São João nos remete.

1 de jun. de 2016

Caráter espiritual da Época de São João

Eliane Azevedo


“É inverno, está tão escuro e frio…

Nunca uma noite tão longa se viu…

Tudo se cala, a porta se cerra…

Ninguém mais fala do que a noite

encerra…

As flores murcham
Aves migram
E tudo dorme à face da Terra…”


Estamos entrando no inverno… o clima é frio, a noite chega mais cedo e se torna mais longa, temos vontade de voltar logo para casa e ficar bem quentinhos. Tudo favorece ao recolhimento, a interiorização, uma busca para dentro de nós mesmos.

A natureza também se recolhe e guarda suas forças no íntimo da terra para desabrochar novamente na primavera. Todas as sementes no inverno esperam na terra a luz solar, para brotarem com força depois do recolhimento. Assim, na época Romana a Terra vivia um grande recolhimento, um momento de secura de vida a espera pela luz de Cristo, que seria anunciada por São João. Pois a Terra naquela época vivia um grande inverno.

Nesse ambiente introspectivo e com os corações aquecidos, começamos a nos envolver com caráter espiritual da Época de São João.

João Batista nasceu no dia 24 de junho. Filho de Zacarias e Isabel, desde criança foi preparado para a vida sacerdotal. Sua vida foi dedicada a oração e penitência e sua missão foi anunciar a vinda de Cristo. João falava às pessoas da importância de se prepararem para a chegada do filho de Deus.

Todos que buscavam o arrependimento e a conversão eram batizados nas águas do rio Jordão por João Batista. A convicção de sua missão levava muitas pessoas a confundi-lo com o próprio messias, mas ele, dizia imediatamente: “Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante dele.” (Jo 3, 28) e “não sou digno de desatar a correia de suas sandálias.” (Jo 1, 27)

Jesus também veio para ser batizado por João. “No momento em que Jesus saía da água, João viu os céus abertos e descer o espírito em forma de pomba sobre ele;” (Mc 1, 10). “E ouviu-se uma voz dos céus, que dizia: Tu és meu Filho amado; em ti ponho minha afeição.” (Mc 1, 11)

João veio ao mundo para preparar o coração dos homens para o advento do Cristo. Ele representava uma era que estava terminando, que não poderia mais existir a partir do momento em que Jesus se tornou Cristo. Quando pregava o arrependimento, ele queria mostrar que o ser humano precisava buscar uma nova consciência para poder viver uma nova era – a possibilidade individual de cada ser humano encontrar conscientemente o caminho da espiritualidade.

João sabia que sua missão, bem como a Era que representava, havia terminado quando disse aos seus discípulos: “importa que ele cresça e eu diminua.” (Jo 3, 30)

Assim, na festa de São João a simbologia da fogueira nos remete a lenha que se consome, ou seja, que diminui para que as labaredas cresçam. Aproveitar para fortalecer o fogo divino e transformador que temos dentro de nós deve ser então a verdadeira motivação para a época de São João.

Fontes:
Anna Maria Macrander Karassawa. Simbolismo da Festa Junina.
Boletim nº 19 junho/ 2008. Escola Turmalina – Pedagogia Waldorf